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Após um casamento de pouco mais de um més, o colaborador da revista Luís Arthur Cané ainda vivia a lua-de-mel com sua Suzuki V-Strom 1000. Eram 23 horas e 45 minutos do dia 22 de dezembro de 2008, na BR-381, a rodovia Fernão Dias. Cané voltava de uma viagem à cidade mineira de Campo do Cajuru logo após de efetuar a revisão de 1.000 km da moto, conforme previsto no manual do proprietário. Curtia a viagem, curtia a nova motocicleta até ela simplismente "desaparecer" debaixo de seu corpo:
"Não houve recado,nem aviso,cai imediatamente" conta.
A BR-381 acaba de ser privatizada. E muitas foram e estão sendo finalizadas, todas com melhorias ao usuário claro.A questão é a adequeção dassas intervenções ao uso de moto.Algumas faixas da rodovia BR-381 foram repintadas para encobrir a rota anterior. Repleta de desvios em sua fase de manutenção, faixas amarelas incorporadas à pista e agora, com o término dessas obras, não fazem mais sentido na rota original da estrada. Para resolver o problema foram cobertas de preto. Visualmemte, a medida funcionou. O problema é que o coeficiente de atrito sobre estas faixas repintadas diminuiu drasticamente em conparação com o restante do asfalto o que nossa equipe de reportagem pôde verificar no local da queda. E a conclusão em que chegamos é que a queda poderia ter sido evitada. |
texto:Ricardo Dilser
Fotos:Mario Villaescusa
Fonte Revista Duas Rodas
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A equipe de reportagem DUAS RODAS percorreu a rodovia Fernão Dias entre São Paulo e o local do acidente, no km 836 entre as cidades de São Sebastião da Bela Vista em Pouso Alegre, já no Estado de Minas Gerais, e constatou ainda que a tática de repintar as faixas anteriores foi adotada não só no local do acidente mas ao longo de toda rodovia." O correto, neste caso, é adotar o uso de um maçarico para queimar a tinta da faixa antiga, mantendo a porosidade do asfalto e, por consequência o coeficiente de atrito". disse um técnico abordado pela reportagem, enquanto supervisionava uma equipe de manutenção na própria estrada. E que não quer ser identificado, obviamente.
O coeficiente de atrito necessário,como lembrou o técnico,é essencial para sua segurança dos automóveis e,sobretudo, das motocicletas.A motocicleta, neste caso, fica mais exposta, já que a largura de seus pneus condiz, muitas vezes,com totalidade da largura da repintura da faixa.Nesta caso e principalmente,com chuva resta ao motociclista contar apenas com a sorte de não passar sobre uma dassas faixas durante uma curva. Sorte que o Arthur não teve naquele 22 de dezembro. E assim que os pneus da Suzuki V-Strom entraram em contato com a tinta escura do asfalto úmido,a moto foi ao chão. Ele e a moto percorreram mais de 50 metros até a parada total,em uma vala que divide aquela pista da de sentido contrário. O prejuízo material foi de R$ 15 mil, mas a história poderia ter um final pior. Bem pior. O que pudemos avaliar no local do acidente, uma larga faixa dessa repintura, na verdade uma tinta de cor escura com textura espelhada, diferente das outras faixas amarelas e brancas. A olho nú mais parece uma tinta de tipo epóx,que perde aderência em caso de chuva.
Fizemos as fotos do local, entrevistamos o acidentado levantamos alguns dados. O policial rodoviário federal Marcelo Ribeiro Morais, que trabalha no posto policial próximo a Pouso Alegre , reconhece a falha na rodovia. Motocilcista (Morais é dono de uma Honda Hornet), ele admite que evita passar sobre as faixas repintadas. E indagado sobre o acidente retratado nesta reportagem avisa: "Nosso papel é informar os fatos de administração da rodovia e sugerir mudanças". Morais, por outro lado, recomenda cautela após a privatização. "A melhora na rodovia aumenta a velocidade dos usuários, o que pode causar mais acidentes". Não foi o caso de Cané, que,mesmo sem correr, não teve chance de reagir. Mais curioso e intrigante é que a OHL, administradora da BR-381, já está cobrando pedágio das motos, mas o que parece esse veiculo não foi levado em consideração durante a execução das obras. |