O mototáxi só pode ser implantado depois que o presidente Lula sancionar a lei federal, que vai reconhecer a profissão de mototaxista. O presidente tem até o final deste mês para tomar essa decisão.
Em São Paulo, a discussão já começou. Existe um projeto que prevê que o passageiro use capacete com uma touca descartável, por questão de higiene; e um colete com airbag, aquele sistema usado nos carros, com uma bolsa de ar que infla em caso de acidente.
As motos terão que ter uma proteção de metal na parte traseira, para que o passageiro tenha onde segurar. E os mototaxistas deverão fazer um curso específico.
Mesmo sem ser regulamentado ainda, o SPTV encontrou algumas pessoas prestando o serviço de mototáxi na capital.
Passageiro na garupa nem sempre é carona. Tem gente que vende e tem gente que contrata o serviço de mototáxi em São Paulo. Com uma câmera escondida, o produtor do SPTV combinou uma corrida do Brooklin até a Avenida Paulista. “Até lá sai por R$ 50”, disse o mototaxista.
Eram 16h50 de uma quarta-feira. O percurso de moto da Avenida Doutor Chucri Zaidan até a Paulista durou 20 minutos.
Depois de gravar a corrida, o SPTV marcou um novo encontro com Rodrigo Latorre, que, sabendo da filmagem, aceitou falar com a equipe de reportagem.
“Eu atendo uma média de cinco clientes por dia. Eu passo orientação sobre como subir na moto, acompanhar o trajeto para não estar desequilibrando na hora que eu estou dirigindo. Eu já falo para a pessoa ir bem agasalhada, para se proteger também; e o uso do capacete”, disse Rodrigo.
Rodrigo era garçom. Há um ano trocou o agito da noite pela correria do dia. “Tem clientes que só querem ir à danceteria ou ao shopping. Também têm aqueles que querem ir só ao trabalho e à escola”, contou Rodrigo.
Na maioria das vezes, a negociação é feita por telefone. "O mínimo de quilômetro rodado é de cinco quilômetros. A gente não carrega menor de dez anos nem maior de 65, por segurança; nem gestantes acima de seis meses", justificou Rodrigo.
Desta vez, quem vende o serviço é Célio. Ele também topou dar entrevista. “Se eu precisar de 10, 20, 50, 100 ou até 200 motos, a gente tem hoje para suprir esse mercado”, explicou.
Propagandas dos mototaxistas na internet oferecem rapidez e conforto. Mas o preço nem sempre é vantajoso. Rodrigo cobrou R$ 50 no percurso que o produtor do SPTV fez. O mesmo trecho, com um táxi tradicional, sem trânsito pelo caminho, custaria, no máximo, R$ 30.
Célio disse que cobra mais barato. “A pessoa paga R$ 3,00 na hora em que ela embarca no veículo, igualmente a um táxi, e R$ 0,65 o quilômetro rodado”, avisou.
O projeto que prevê a regulamentação dos mototáxis ainda está em discussão. Mas uma das principais ideias da proposta é criar uma área de restrição. O trabalho dos mototaxistas ficaria limitado a regiões mais afastadas do centro da cidade, como a Avenida Cupecê, na zona sul da capital.
Pela proposta, os mototáxis não poderiam circular pelo mini anel viário, onde estão as principais vias de São Paulo, como as marginais Tietê e Pinheiros e as avenidas dos Bandeirantes e Salim Farah Maluf.
O vereador Ricardo Teixeira é o autor da proposta. “Eu defendo a implantação fora do centro expandido, em distritos aonde a prefeitura identifique problemas com transporte coletivo, aonde há falha no transporte coletivo e aonde o mototáxi poderia ser um apoio”, explicou.
“É uma boa. Para quem tem pressa e tem que evitar o trânsito, é uma boa sim”, avaliou o estudante.
“Eu não pegaria. Eu acho muito arriscado”, justificou a copeira.
“O índice de acidentes com motociclista chega a 69%. Nós vamos ter as nossas UTIs repletas. Em vez de um terço do pessoal do transporte sobre duas rodas, nós vamos ter dois terços das UTIs ocupadas, deixando de ser atendido o doente clínico”, alertou Dirceu Alves, da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. |